Teorias e surpresas
Estou construindo um roteiro. A priori, vou fazer de conta que ninguém me conhece. Eu vou apenas escrever pelo prazer da escrita e do compartilhamento do processo, esperando que seja de alguma forma importante.
O roteiro é deste homem aí na praia. A cena foi emprestada de Thomas Mann e seu clássico Morte em Veneza. Claro que emprestado de uma forma contemporânea e mais erótica.
Mas escrever um longa não é fácil!
Estou relendo e lendo alguns livros; entre eles Story do Robert Mackee e o manual do Roteiro do Syd. Não que eu precisasse, mas parece que os ler, deixa-nos mais propícios a entender a confusão de nossas mentes ao roteirizar um livro já escrito.
Eu cumpri as regras de Syd, escolhendo 30 cartões para esta parte incial - a apresentação. E ela tinha que ser para mim a verdadeira prova de que poderia funcionar. Eu já sabia da história deste cara aí embaixo - o que está com a bunda na areia.
A primeira avaliação semiótica da imagem nos coloca num lugar de espreita, de observação, tal como ele se posta ao se colocar olhando para o homem de sunga vermelha. O admirador do homem que sai da praia não tem rosto, não se mostra, mas se desnuda para qualquer aventura.
Esta é a minha premissa: não ter pudores.
Um aluno que estava lendo meu roteiro disse:
- Mas professor, o senhor gosta de uma "porra"!
Eu fiquei um pouco constrangido, pois eu tinha que provar que o cara, por mais que parecesse - ele não era eu. E a afirmativa me colocava num lugar de defesa. E eu não queria mostrar razão alguma de não escolher a "porra". Ele estava na personagem.
Mas esta premissa não me dava nenhum ponta pé inicial. Aliás, eu não queria seguir os passos dele. Eu queria apenas tirar do papel uma personagem que me requereu inspiração para um outro tão longe quanto perto de mim.
Outro colega, para qual eu entregava, quase que diariamente cada página da minha escritura, acompanhava comigo este processo. Eu escondia dele, algumas escolhas, mas como ele tinha lido o livro desta história, questionou-me por que eu extraviara a personagem.
Por isso, peço que vocês acompanhem este blogue, que foi escrito para registrar os DIÁLOGOS ENTRE SONHADORES.



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