O fato de escrever sobre um texto com substrato já desenhado, é que a psicologia já começa com algumas fases surperadas.
A criação ou a nomeação das personagens é um processo interessante e deflagrador. Mas eu já possuía tudo na nomenclatura que o livro trouxera. Inclusive, para um deles, o nome tinha - de acordo com a história do livro - uma hstória construída, como se a personagem tivesse sido inaugurada sob os trovões da chuva, sob as descargas da noite chuvosa e, então, uma existência franksteiniana. Isso criava antecipadamente um capítulo para esta criação. Mas esta personagem não tinha uma existência comprovada, senão nesta mente conturbada do autor.
Mas aí eu retirei-o desta história com nomes combinados, criados previamente. Dei-me ao luxo de nomeá-lo com o mesmo nome sobre uma nova possibilidade de significação. Qual seria esta nova vida pregressa? Certamente, eu deveria omitir esta vida pregressa. Mas como omitir a vida pregressa de um personagem? Que personagem não tem um passado?
Portanto, o passado era uma instância que precisava ser trabalhada com cuidado. O nome dele tinha que ter apenas um nome; este peso de sua criação prévia deveria ser suprimida levemente. Por enquanto, eu não conseguia imaginar como este pré-nome, criado sob a fôrma de um homem incomum, fosse declardo importante.
Ele seguia sem rosto. As primeiras imagens dele, eram de uma câmera preguiçosa, desinteressada nesta pessoa, mas centrada no que ela fazia. Câmera sobre o ombro, camera subjetiva - seus olhos passeavam por alguma paisagem ou pelo corpo do outro. E então, eu ia evitando o seu rosto. E isto criava um estímulo para o próprio processo criativo. Que homem era esse?
Eu vou deixar que ele vá se mostrando aos poucos. O passado dele é reconstruído pelo amor do outro que o vê com seus olhos numa subjetiva que investiga o corpo e deixa o rosto como um elemento amorfo. Este rosto é apenas deste que o vê, que lho dá a vida, o amor que merece.
O nome dele vai se incorporando aos diálogos internos do protagonista, que o nomeia como o sente, como o percebe, como o deseja. E isto é o mais importante agora!
Nenhum comentário:
Postar um comentário