Eu não queria escrever. De pronto, iam dizer: "Mais uma a atividade para desenvolver de forma mediana?". Pois é, eu ficava pensando nisto, porque novamente eu interpelaria meus mais próximos: "Você pode ler meu novo texto?". E isso me tornava mais chato.
Eu falei que não queria escrever cinema - roteiro de cinema. Mas eu fui instado por um chamado, que mais parece um desafio ou um desaforo ao pensamento das pessoas que registrei no começo deste texto. Seja o que for, eu produzi e interpelei meus amigos - aqueles que são provocados a ler com a responsabilidade de não me afagar as costas com tapinhas. Segundo um roteirista, você - novo roteirista - não deve advogar pelos seus textos, mas anotar as observações.
Confesso que no começo, eu brigava por cada linha, por cada fala. Mas, com o tempo, eu observava que eram palavras que não cabiam num corpo real, mas aquele ideal que eu inventada. Estava sempre ornamentando o pensamento de minhas personagens, como se elas pudessem marcar na mente dos leitores algumas mensagem para o infinito de suas vidas. E na verdade, elas precisavam apenas causar o sentimento instantâneo da reflexão.
E no cinema, as imagens falam mais. São ações como um toque no rosto que enxuga a lágrima e o sangue. E como escrever isto? Não precisa; vê-se e se sente!
Isso quebrava minhas pernas. Eu saído da narrativa, do fluxo de consciência que confundiam o tempo e o espaço. Essa é a maior luta que travo comiogo, e talvez resida aí o desafio que falei lá em cima. Não se trata apenas de um desaforo. E eu aceitei o desafio a mim exposto.
Cada dia eu tento escrever imagens. As falas parecem desenhar paisagens e emoções. E este é o desafio. A cada tratamento, eu vou aveludando a pedra com toques sôfregos e sutis, até que encontre aquele ritmo próprio para o cinema. E qual é?
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