[23:02, 26/10/2017] Leitor: Três impressões: Um thriller psicológico sobre o mistério do sentimento, fusão de um realismo fulminante com um romantismo submerso pulsante, um personagem que é uma forma adulta do amigos imaginário de uma criança que se transformou em um escritor.
[23:09, 26/10/2017] Eu: É bem por aí.
[23:09, 26/10/2017] Agora para a outra parte, eu desanimei.
[23:09, 26/10/2017] Suga muito.
[23:18, 26/10/2017] Leitor: Tem uma letra de música que diz que a gente tem que sempre tentar surfar nossos karmas e DNA...
Eu nem queria antecipar as premissas e as motivações das personagens. Mas nesse não querer, eu vou mais dizendo do que escondendo.
Aí em cima, está a coversa que tive com um de meus leitores-beta - aqueles que "encho o saco" com estas interpelações sobre o "savoir faire". Mas não é tanto sobre o saber, mas mais sobre o continuar. Roteiristas famosos, em seus livros sobre como fazer, lidam com este pequeno desânimo. Aliás, todos os manuais parecem tematizar este assunto.
Eu havia trabalhado conforme as orientações dos grandes roteiristas. Cada dia, eu escrevia em médias três cenas, parte do tempo num fluxo contínuo. Num outro momento, eu refletia sobre o que havia escrito - contrariando as dicas do Syd Field. No entanto, as implicações pela desobediência, vinham no cansaço imediato; nesta angústia de produção industrial.
Enquanto, eu escrevia, eu compartilhava, quase que em tempo real, os texto com outro leitor/amigo que logo logo vai entrar aqui neste blogue. Ele acompanhava a hsitória delicada desta personagem que se estruturava num livro que escrevi a 3 anos. Este livro havia sido lido pelo meu leitor/amigo e esta interferência da narrativa e suas trajetórias, fazia-nos (não só a mim, mas mais a ele) repensar cada cena criada. E ele me admoestava: "Mas tá fugindo do livro".
Essa busca pelos caminhos do original, estavam me sugando. Por esta razão, usei o verbo lá em cima, porque ambos leitores tinham uma consciência mesmo que danificada pelo tempo pretérito da leitura do livro, e esta memória afetiva da personagem me colocava em cheque com a nova trajetória que dava a ela.
A fase em que me encontro é da apresentação. Para localizar vocês, este é o terceiro projeto em que trabalho e esta tentativa de implementar mais um roteiro, enfrenta outras etapas que têm a ver mais com estímulos do que o próprio fazer.
Portanto, escrever um roteiro tem mais a ver com uma gama de circunstâncias ao redor da escrita do que com a escrita em si. Mas antes que demostre a vocês apenas estes empecilhos e desânimos, têm muita coisa boa neste processo extenuante da escrita, principalmente as trocas e os entendimentos.